das palavras do livro que dão nome ao blog

Apesar disso a esmorecer, e também, o resto a ir ficando escuro; mas logo acima do horizonte, num espaço claro de cor turquesa por baixo de um estrato negro, os meus olhos depararam com um espectáculo que só os tolos tomariam por supérfluo neste ou noutro pôr-de-sol. Ocupava uma bastante reduzida porção do enorme céu e tinha a nitidez peculiar das coisas vistas com um telescópio ao contrário. Lá me esperava uma família de serenas nuvens em miniatura, acumulação de volutas brilhantes, anacrónicas no seu aveludado e extremamente longínquas; remotas mas perfeitas em todos os pormenores; fantasticamente reduzidas mas de contorno impecável; o meu amanhã maravilhoso pronto a ser entregue às minhas mãos.

Nabokov in a outra margem da memória

 

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